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Renda básica universal na periferia: por que defendo a ampliação do Bolsa Família e do Pé-de-Meia

Uma coisa me impressiona nessa caminhada como candidata a deputada federal em Minas Gerais? É o quanto programas como o Bolsa Família e o Pé de Meia incomodam. Incomodam em alguns meios cristãos e protestantes, onde já ouvi de tudo: que são esmola, que geram preguiça, que são um mal, que não são caminhos dignos para a prosperidade. E eu fico me perguntando: como pode uma ajuda ao próximo incomodar tanto uma comunidade guiada por Aquele que mais ajudou?

Renda é liberdade e autonomia para as mulheres 

Passei a vida cuidando de pessoas. No consultório, na igreja, na rua. Vi com meus próprios olhos mulheres presas em relacionamentos abusivos porque não tinham um real no bolso para ir embora. O Bolsa Família chega em 83,9% dos lares nas mãos das mulheres. São mais de 16 milhões de mulheres que, com esse dinheiro, compram o leite, o pão, o caderno. E, mais do que isso, ganham um fio de autonomia para dizer não a um agressor. A gente sabe o quanto foi importante no desenvolvimento dessa política, que a renda ficasse sob o controle das mulheres. Por isso defendo com tanta força a ampliação do Bolsa Família.

Pé-de-Meia: futuro que começa agora 

E o Pé-de-Meia? Criado pela Lei nº 14.818/2024, ele dá R$ 200 mensais para estudantes do ensino médio da rede pública. Já alcançou 5,6 milhões de jovens em todo o Brasil e reduziu o abandono escolar em 43%. Eu olho para um adolescente da periferia de BH e vejo nele o mesmo brilho que vi em mim quando era jovem e sonhava. O Pé de Meia não é mamata, como ouço por aí. É a chance de ele continuar na escola em vez de desistir para trabalhar. É a mão do Estado dizendo: “Fica, estuda, seu futuro importa”. Sei que ainda é pouco para os problemas que temos na educação em Minas, mas é uma excelente ação emergencial para impedir uma evasão escolar que estava comprometendo o futuro de milhares de jovens pelo Brasil. 

Redistribuição justa em um país de desigualdade profunda

Os benefícios sociais não criam privilégios. Eles fazem uma pequena e justa redistribuição de riqueza em um dos países mais desiguais do mundo. O Bolsa Família atende 18,77 milhões de famílias com renda per capita de até R$ 218. É o mínimo. É o pão de cada dia. E, num país onde poucos têm muito e muitos não têm nada, isso não é favor – é reparo. Nós não podemos nunca esquecer que a origem da desigualdade em nosso país não é o mérito de alguns, mas sim a exploração violenta da maior parte da população, a desigualdade no acesso à educação, a falta de tempo para que as pessoas possam investir em seu futuro. 

O que a Bíblia nos ensina sobre partilhar

A teologia da prosperidade, que insiste em associar riqueza a bênção e pobreza a maldição, é uma distorção dolorosa do Evangelho. Jesus foi claro: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lucas 6:20). Não há nada de bom, de romântico ou de bonito em ser pobre. O projeto de Deus para nós não é esse. Mas quando Jesus diz isso, ele diz pois sabia que a pobreza não vinha do mérito, mas sim da injustiça, da violência, da escravidão. Ele viu humanidade naqueles que eram vistos como coisas pelos ricos e poderosos, e por isso disse que eles eram bem aventurados. E por isso ensinou-nos a repartir, a comungar, a distribuir o pão, e não a acumular. Não há um versículo na Bíblia que condene a partilha. Nós devemos celebrar que existem essas políticas públicas para nossas irmãs e irmãos que estão, muitas vezes de forma passageira, em uma situação vulnerável. 

Use sem culpa, irmã

Por isso, quero dizer a você que está precisando de um benefício: use sem culpa. Não se sinta menor. Você não está sendo preguiçosa nem aproveitadora. Você está sobrevivendo com dignidade em um país que tornou a sobrevivência da maioria da população uma batalha diária. Deus não tem prazer no seu sofrimento. Ele quer que você viva, e viva com dignidade.

Meu compromisso: renda básica universal na periferia

Mas eu sonho mais. Sonho com a renda básica universal. Sonho que nenhum jovem precise suportar violência porque não tem para onde ir. Estudos mostram que uma renda básica universal no Brasil custaria 4,6% do PIB e reduziria a pobreza em 11,6 pontos percentuais. É viável. É justo. É possível.

Se eu for eleita deputada federal, minha luta no Congresso será para ampliar o Bolsa Família, fortalecer o Pé de Meia e avançar em direção à renda básica da cidadania. Porque acredito que a fé sem obras é morta. E defender a vida do irmão e da irmã – com políticas públicas, com coragem e com amor – é a obra mais concreta que podemos fazer. Essa é a minha fé. Essa é a minha luta. Esse é o meu compromisso com Minas Gerais.