Quando pensamos na cultura de Belo Horizonte, é comum lembrarmos dos grandes festivais, dos teatros, dos museus e dos espaços tradicionais da cidade. Tudo isso faz parte da nossa identidade.
Mas existe outra Belo Horizonte que também produz cultura todos os dias.
Ela está nas rodas de samba, nos saraus, nos slams, nas batalhas de rima, nas festas populares, nas feiras comunitárias, nos grupos de dança, nos blocos de carnaval, nas igrejas, nas cozinhas, nas praças e nos projetos sociais que transformam vidas por meio da arte.
A cultura também nasce na periferia
A cultura periférica em Belo Horizonte não é algo que precisa ser criado de fora para dentro. Ela já existe e é produzida diariamente por artistas, coletivos culturais, produtores locais, mestres da cultura popular e pelas próprias comunidades.
Como mulher preta, criada na periferia de Belo Horizonte, aprendi desde cedo que a cultura é muito mais do que entretenimento. Ela fortalece vínculos, preserva memórias, cria oportunidades, movimenta a economia local e oferece novos caminhos para crianças e jovens.
Por isso, acredito que precisamos ampliar as propostas de apoio à cultura periférica em Minas Gerais, fortalecendo coletivos culturais, artistas independentes, produtores locais e iniciativas comunitárias que mantêm viva a diversidade cultural do nosso estado.
A arte como cuidado, pertencimento e oportunidade
A arte é uma forma de cuidado.
Ela fortalece a autoestima, amplia horizontes e cria espaços onde as pessoas podem se reconhecer, contar suas histórias e imaginar novos futuros.
Quando uma criança encontra espaço para desenvolver seu talento, quando um jovem descobre na música, na dança ou no teatro uma possibilidade de futuro, quando uma comunidade fortalece seus laços por meio da arte, toda a cidade cresce junto.
Investir em cultura também é investir em educação, saúde mental, geração de renda e prevenção da violência.
É reconhecer que a arte pode abrir caminhos onde antes existiam apenas limitações e que o acesso à cultura também é uma forma de ampliar oportunidades.
Valorizar a cultura negra e os coletivos culturais de Belo Horizonte
Também considero essencial investir na valorização da cultura negra na periferia de Belo Horizonte.
Minas Gerais foi construída por muitas mãos, muitas vozes e muitas tradições. Reconhecer essa contribuição significa valorizar artistas, grupos culturais, mestres da cultura popular e iniciativas que preservam a memória, a criatividade e a identidade das comunidades negras que fazem parte da história da nossa cidade.
A cultura negra não é apenas parte da história de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Ela continua sendo produzida todos os dias, nas músicas, nas danças, nas festas, nas manifestações religiosas, na arte, na culinária e nas diversas formas de expressão das nossas comunidades.
Valorizar essa produção é reconhecer o direito de cada comunidade contar sua própria história e ocupar a cidade com sua identidade, sua criatividade e sua potência.
Investir em cultura é investir no futuro de Belo Horizonte
Acredito em uma Belo Horizonte onde todas as pessoas possam acessar a cultura, mas também produzir cultura, viver da cultura e serem reconhecidas por ela.
Por isso, defender políticas culturais não significa apenas defender eventos ou espaços culturais. Significa criar condições para que artistas e produtores possam trabalhar, para que coletivos culturais tenham apoio e para que crianças e jovens encontrem na arte novas possibilidades de futuro.
Porque prosperidade também é poder ocupar a cidade com alegria, criatividade e pertencimento.
Uma cidade que valoriza sua diversidade cultural é uma cidade que reconhece a riqueza do seu povo. E cuidar dessa riqueza é investir no futuro de Belo Horizonte e de Minas Gerais.