Direitos das Mulheres

A luta contra o feminicídio em BH começa quando nenhuma mulher enfrenta a violência sozinha

Nenhuma mulher deveria viver com medo dentro da própria casa.

Ainda assim, milhares de brasileiras convivem diariamente com diferentes formas de violência: física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Muitas vezes, o silêncio não significa ausência de sofrimento. Significa medo, dependência, isolamento ou falta de uma rede de apoio.

Enfrentar essa realidade exige o compromisso de toda a sociedade. O combate ao feminicídio em Minas Gerais passa pela prevenção, pela proteção das vítimas, pela responsabilização dos agressores e pelo fortalecimento das políticas públicas que garantam segurança e acolhimento.

Ao longo da minha caminhada como pastora e psicóloga, ouvi histórias de mulheres que buscavam apenas uma oportunidade para recomeçar. Aprendi que o primeiro passo para romper o ciclo da violência é fazer com que nenhuma mulher se sinta sozinha.

Como denunciar violência contra a mulher em BH

Também é fundamental que todas saibam como denunciar violência contra a mulher em BH. A denúncia pode ser feita em situações de emergência pelo telefone 190, e o atendimento e a orientação também estão disponíveis pelo Ligue 180, canal nacional de apoio às mulheres em situação de violência. Buscar ajuda é um ato de coragem, e nenhuma mulher deve carregar esse peso sozinha.

Equipamentos essenciais de acolhimento

Belo Horizonte também contará com equipamentos públicos importantes, como a Casa da Mulher Brasileira em Belo Horizonte, reunindo diferentes serviços especializados em um mesmo espaço para oferecer acolhimento, orientação e apoio às mulheres em situação de violência.

Além disso, as casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência representam uma alternativa essencial para proteger mulheres e seus filhos quando permanecer em casa significa colocar suas vidas em risco. Esses espaços oferecem proteção, atendimento especializado e condições para que novas histórias possam ser construídas com segurança e dignidade.

Acredito que enfrentar a violência contra as mulheres exige mais do que indignação. Exige investimento em prevenção, fortalecimento da rede de atendimento, acesso à saúde mental, autonomia econômica e políticas públicas que permitam às mulheres reconstruir suas vidas com liberdade e esperança.

Quebrando o silêncio nas igrejas: a atuação como Mulher EIG

É de extrema importância quebrar o silêncio sobre a violência contra a mulher dentro das igrejas evangélicas, onde o machismo muitas vezes se esconde sob amarras dogmáticas e o medo da culpa. Como uma Mulher EIG — integrante do movimento Evangélicas pela Igualdade de Gênero, coletivo ecumênico e feminista que articula mulheres cristãs na defesa dos direitos humanos, no combate aos fundamentalismos e na superação do sexismo nos espaços religiosos —, tenho desenvolvido um trabalho muito importante com elas a partir da cartilha “Mulheres com Deus: caminhos para uma vida abundante e segura”, material desenvolvido em parceria com o Observatório Participativo da Desinformação para blindar consciências, combater narrativas de submissão tóxica e oferecer caminhos reais de libertação e amparo.

Cuidar das mulheres é cuidar das famílias, das comunidades e do futuro de Minas Gerais.

A coragem de denunciar precisa encontrar uma sociedade preparada para acolher. E uma política comprometida com o cuidado deve trabalhar para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência.