Por muito tempo, tentaram convencer o Brasil de que existe apenas um jeito de viver a fé e apenas um jeito de participar da política. Mas será que a fé cristã cabe em uma única caixinha ideológica?
Eu sou mulher preta, nascida e criada na periferia de Belo Horizonte. Sou pastora, teóloga, psicóloga, comunicadora e empreendedora. Minha caminhada na fé começou na adolescência e, desde então, escolhi dedicar minha vida ao cuidado de pessoas, de famílias, de mulheres e de jovens.
Hoje, também escolhi colocar meu nome à disposição como deputada federal evangélica de esquerda, porque acredito que a política pode ser um instrumento de cuidado, justiça e transformação.
Seguir o exemplo de Jesus: o verdadeiro Evangelho
Para mim, ser cristã significa seguir o exemplo de Jesus: acolher, repartir, defender a dignidade humana e caminhar ao lado de quem mais precisa. É essa compreensão do Evangelho que inspira minha atuação pública.
Defender um Estado laico não significa ser contra a religião. Significa garantir que todas as pessoas tenham liberdade para viver sua fé, ou para não professar nenhuma, com respeito e igualdade de direitos.
Compromisso com o bem comum e políticas públicas
É por andarmos de mãos dadas com a justiça que não vejo contradição entre a minha fé e o compromisso com políticas públicas que:
- Enfrentam a fome;
- Fortaleçam a saúde mental;
- Combatam a violência contra as mulheres;
- Ampliem oportunidades para a periferia;
- Promovam dignidade para todas as pessoas.
Ser uma pastora progressista em Belo Horizonte é acreditar que a fé pode inspirar compromisso com o bem comum, sem abrir mão da democracia, da liberdade e do respeito às diferenças. Acredito que o cuidado, a coragem, a fé e a prosperidade caminham juntos quando colocamos as pessoas no centro das decisões.
A mentira que inventaram: quando e como os evangélicos foram empurrados para a direita
Afinal, por que tentam nos colocar em um único lugar? Se a gente olhar para o início dos anos 2000, as coisas não eram assim. Os evangélicos votavam em todo tipo de partido — na esquerda, no centro e na direita — sem ninguém mandar em quem eles deviam escolher.
Essa ideia de que todo evangélico tem que ser de direita é recente. Ela ganhou muita força ali por volta de 2011 a 2013, durante as brigas políticas sobre costumes e direitos. Foi nessa época que algumas lideranças religiosas começaram a usar a igreja como palanque de campanha e a dizer que ser cristão significava votar em um lado só.
Isso é uma mentira fabricada: não foi assim na história e não precisa ser assim. Nenhuma igreja deveria constranger ninguém a nenhuma posição política ou partidária.
Tenho muito orgulho de ser a primeira pastora evangélica candidata por um partido de esquerda desde a redemocratização, e sei que não serei a última. Os evangélicos estão reconquistando suas liberdades e não estão caindo mais na conversa de que devem obedecer os seus pastores na hora do voto.
Porque a política também pode ser um lugar de cuidado.