Cuidado e Saúde Mental

Saúde mental também é direito: por uma Minas Gerais que acolhe

Já ouvi muitas vezes a frase “tenha mais fé” como se fosse remédio para a depressão ou o burnout. Essa espiritualidade cruel tenta transformar o sofrimento psíquico em falta de caráter. Mas, quando Jesus convida os cansados e sobrecarregados para perto, Ele mostra de que lado está. O Evangelho não é cobrança para que feridos funcionem melhor em um mundo adoecido, é anúncio de libertação. Por toda a minha trajetória profissional, tenho como prioridade em minha pré-candidatura a defesa do acesso à saúde mental pela população que mais precisa.

Saúde mental precisa estar perto das pessoas

Vivemos uma verdadeira epidemia de depressão, ansiedade, burnout e muitas outras formas de sofrimento. Isso não é por acaso e não veio do nada. Ao longo de todos esses anos atendendo mulheres, pude ver como vários dos nossos problemas tem origens comuns e coletivas. A falta de tempo pela super-exploração do trabalho, a falta de renda, o medo do desemprego, da fome, o medo das mulheres da violência. Tudo isso afeta não só a nossa vida material, mas também a nossa autoestima, a nossa vontade de viver, a nossa saúde mental. 

Os problemas de saúde mental hoje afetam a todos, mas são poucos os que conseguem suporte para lidar com isso de forma digna. Não adianta recomendar autocuidado a quem enfrenta horas de transporte, trabalha seis dias por semana e cria os filhos sem rede de apoio. É preciso oferecer condições e tratamento. É preciso democratizar o acesso à psicoterapia, principalmente nas periferias, é preciso fortalecer o SUS, o CAPS, os CERSAMs. É preciso lidar com seriedade para esse adoecimento coletivo que estamos vivendo, e eu acredito que vamos conseguir isso compreendendo que o cuidado é direito. 

Cuidar é uma escolha política

Uma política de cuidado de verdade coloca a vida humana acima de metas e orçamentos. Quando lutamos por políticas de cuidado, estamos dizendo que o sofrimento não é um problema individual que se resolve com frases prontas, mas uma ferida coletiva que o Estado tem o dever de tratar.

Defender a saúde mental em Minas Gerais é implementar um sistema de proteção que apoie as mães atípicas, que compreenda as necessidades da população autista, que acolha o jovem sem perspectiva e o trabalhador exausto. É entender que a vida em abundância, que o nosso Deus deseja, só floresce onde há segurança, onde há escuta e onde há mão estendida. Cuidar é entender que, quando um de nós adoece por falta de condições, todos nós perdemos. Minha missão é garantir que Minas Gerais seja um estado que, ao invés de cobrar resistência, ofereça amparo.