Direitos das Mulheres

Mulheres negras na política: representatividade que transforma

Quando uma mulher negra ocupa um espaço de decisão, ela não chega sozinha. Ela carrega o legado de pioneiras que abriram caminhos na história mineira e brasileira — como as deputadas e lideranças negras que desafiaram o racismo estrutural para nos dar voz, e grandes referências intelectual e política como Lélia Gonzalez. Lélia, que assim como eu compartilhava a formação em psicanálise e a militância aguerrida em um partido de esquerda, nos ensinou que a luta por justiça social, raça e gênero é indissociável. Sou imensamente grata a essas mulheres cujos passos permitiram que eu estivesse aqui hoje.

Sou uma mulher negra na política em BH, nascida e criada na periferia da capital mineira. Minha trajetória começou muito antes da política institucional: foi construída no cuidado com pessoas, na caminhada da fé, na escuta de mulheres, jovens e famílias e no compromisso com a transformação social.

A força e a voz da periferia nos espaços de poder

Por isso, acredito que ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de poder não é apenas uma questão de representatividade. É fortalecer a democracia com mais experiências, mais vozes e diferentes perspectivas sobre os desafios que Minas Gerais enfrenta.

Minha pré-candidatura também nasce desse compromisso. Como candidata da periferia de Belo Horizonte, conheço de perto a realidade de quem enfrenta diariamente as desigualdades, mas também a força, a criatividade e a capacidade de transformação das nossas comunidades.

Por que a ampliação de mulheres negras na política mineira é urgente?

É nesse contexto que compreendo a importância das cotas e políticas afirmativas em MG. Essas ferramentas não substituem o mérito; pelo contrário, elas corrigem distorções históricas e garantem condições reais de acesso aos espaços de decisão para quem sempre foi empurrado para a margem.

Quando mais mulheres negras conseguem estudar, empreender, liderar e participar da política, todo o povo mineiro se fortalece. A diversidade de vivências contribui para decisões públicas muito mais conectadas com a realidade da nossa população.

Por isso, defendo a ampliação de mulheres negras na política mineira. Não para que falemos apenas sobre nós, mas para que possamos liderar a construção de políticas públicas que promovam cuidado, prosperidade, oportunidades e dignidade para todas as pessoas.

Minha história me ensinou que coragem também é ocupar lugares que, durante muito tempo, tentaram nos convencer de que não nos pertencia. E cuidar de verdade é abrir caminhos para que outras possam caminhar.

Porque uma democracia mais representativa é uma democracia mais forte. E uma política que acolhe diferentes vozes é uma política capaz de transformar vidas.