Direitos das Mulheres

Mulheres vivas e em segurança: a urgência do combate ao feminicídio

Ninguém nasceu para viver com medo dentro da própria casa. Como pastora e psicóloga, vejo mulheres exaustas por esconderem o silêncio imposto por quem deveria protegê-las. Quando um homem se sente dono da vida, das escolhas ou do corpo de uma mulher, não estamos diante de uma tragédia, mas de uma violência política. O feminicídio começa quando chamam controle de proteção e agressividade de amor.

Nenhuma mulher pode enfrentar a violência sozinha

Como cristã, entendo que o Evangelho é anúncio de libertação, e não de cativeiro. O Deus que sirvo não é neutro: Ele deu voz a Tamar e dignidade às mulheres que a sociedade tentava apagar. Uma teologia que exige silêncio ou submissão para “preservar a família” desfigura a fé. Igreja deve ser lugar de acolhimento, não de cárcere. Denunciar a violência não é destruir o lar; é salvar a vida de quem Deus ama. Nenhuma mulher precisa enfrentar esse deserto sozinha. Nós somos muitas, nós precisamos seguir juntas. Em minha história, tive a honra de ver muitas mulheres superarem situações assim e protegerem suas vidas. Eu sei que, juntas e em espaços de decisão, podemos garantir essa libertação para muitas outras irmãs que seguem sob o julgo da violência.

Proteger mulheres é proteger famílias inteiras

Não existe liberdade para quem precisa escolher entre ser violentada ou não ter onde morar. Proteger a vida delas exige transformar a rede de apoio em algo real:

  • Autonomia financeira: Sem renda, a mulher segue presa ao agressor. Precisamos de trabalho, creche e suporte para que ela recomece com independência.
  • Segurança eficaz: Não basta a lei no papel. Exigimos delegacias funcionando, medidas protetivas cumpridas e abrigos que garantam a vida.
  • Educação preventiva: Precisamos ensinar aos nossos meninos que mulher não é propriedade. Proteger as mulheres é garantir lares onde o respeito seja a única regra.

Combater o feminicídio é defender a vida que Deus nos confiou. Vida em abundância só existe quando a mulher está viva, segura e dona de sua própria história.